14 de out de 2015

innextienSa

Ele adoraria ter o que dizer
Por falta de motivo significante
Desiste sem vacilar

Não tem vontade de medir
Esquece da sonoridade

As linhas já fizeram sentido
Seguiram, por um tempo, certa regra
Existia um sentimento
Que ele precisava compartilhar

Mas o mentor estava certo.
A falta de espírito chegou
Trouxe consigo o ceticismo sarcástico
Piadas infames e depressivas

Tão jovem, já desistiu
Né nada, não.
Já era concebido,
Só não aceitou mais cedo

Se pudesse, sequer resistiria
Só o faz por obrigação.
Não fossem elas,
Ele retomaria o luxo que dele tiraram:
Inexistência

Depressão

Ele não toma banho
Não escova os dentes
Não lava os pés pretos
Recém pintados no piso dedetizado

Veste suas roupas já usadas
Disfarça seu fedor
Desaparece completamente
E volta falso como um tipo de mentor

Ele não vale nada
Mas os outros também
Desistiu de tudo
Não disse pra ninguém

Ele não pode com eles
Não faz parte desse choro
Só acredita piamente
Que não precisa de socorro

Yo-ho

Admitamos de uma vez por todas
Que tua alma não combina co'a minha
Que teus olhos observam apenas de longe
Enquanto humilho seus sentimentos
Degrado sua imagem

Estar perto de mim doe em ti
Assim como doem nos outros
Todos
Que não são parte de mim
Desgraçados

Eu juro que adoraria
Poder cantar trovas contigo
De rir em lugar seguro
E ser capaz de voltar a algum lugar

A verdade, menina,
Não pede seu choro
Ela não busca nada
Simplesmente não se interessa

A que dita que vou te machucar
Enquanto aprecio docemente seus gritos
Só precisa que nós aceitemos
Que não poderia ser diferente

Somos os prisioneiros de fato
Incapazes de causar qualquer efeito
Apenas passivos
Castigados


E é apenas isso

1 de set de 2015

本当空っぽ

Apareceu sem avisar
Fez questão de não ser apresentada
Quantas vezes inexistimos mutuamente?
A casa também não é minha...
Pra ser sincero,
Eu não sei bem onde estamos,
Apenas ouço boatos sobre o que acontece no mais interior do salão...
Na verdade, eu nem sei quem está aqui
Ou o que é este lugar
Os boatos mais parecem lendas urbanas.
Tudo parece tão imóvel aqui
Que não custa acreditar:
São contos da imaginação
É estranho
Mas eu ainda acredito neles.
Eu preciso acreditar neles.
É tudo que eu tenho
Por isso eu preciso te encontrar!
Talvez você seja mais inteligente
E simpatize com minha condição... Indigente
Eu também não fui apresentado,
Mas quero chamar atenção
Acho que de qualquer um
Que esteja disposto a me tolerar
Isso é mentira
Desculpa
Acontece
Às vezes
Eu sei muito bem o que eu quero,
Só não sei se é possível
Nesse lugar em que nada acontece,
Em que as pessoas talvez não saibam que existem
Eu sinto
Saudade
Não sei muito bem porquê
Deve ser esperança,
Esperança de não estar sozinho
De te encontrar!
Eu ficaria muito feliz
Sabia que eu sonho com você?
Seu rosto sempre é vazio,
Nem corpo você tem...
Você é toda sentimento!
Você
Você provavelmente não existe, não é?
Mas ta tudo bem
Olha pra eles...
Eles parecem
Bem
Suficientemente bem...
Que ideia terrível
Eu tô doente
Todo fraco
Um pouco débil
Beiro inexistência
Talvez não seja tão mal
Já pensou? Inexistir
Perder tudo o que me faz,
Recomeçar tão verdadeiramente quanto possível...
Me deixa triste,
Perder quem eu sou.
Eu tenho medo,
Eu sinto dó
De mim e de quem me quer
Eu só quero melhorar
Me limpar
Quanto mais melhor!
Assim seria possível...
Eu bem seria mais feliz,
Não?

Chega
É por isso que eu preciso de você:
Vê, eu sou um idiota.
Não faço ideia do que fazer;
Não entendo nada, nunca
...
Por isso, talvez você não goste de mim
Acho que entendo
Peso-morto narcisista irascível..
Eu te entendo
Mas vou sentir saudades!
Espero um dia poder te ver
Só pra saber que existe.
Sabe, eu preciso que você exista
Pra vivermos lendas urbanas!

30 de mai de 2015

Amor francês

Há algo extremamente icônico neste momento
Em que penso sobre minhas mudanças
E minhas esperanças de seu efeito.
Pensara ser um problema de perspectiva...
Talvez carma?
Fosse eu bom, o mundo me acolheria meus desejos.

É...
Para futuras referências: estava errado.

A mudança, quando boa, possui o sentimento do amanhecer.
Não há Sol no céu
Ainda não se vê claramente o caminho
Mas não anda pela Terra ser que diga,
Ao ver púrpura em qualquer lugar sobre sua cabeça,
Que o a luz não virá para corrigir os defeitos da mente embriagada.

Engraçado, pois, esse sentimento meu.
Ao avistar a mudança nos tons de azul,
Enchi-me de esperança
E dei graças ao mundo, talvez à alguém, por trazer meu desejo próximo.
Trêmulo, foi este o efeito da minha felicidade misturada com êxtase.

É possível que eu não saiba dizer as horas...
Isso tiraria meu pescoço da guilhotina que é a humilhação.
Fosse por ignorância, é possível que pudesse me perdoar.

Vi a Lua, ainda no céu, e tive ainda mais certeza na minha lógica.
As mudanças no tom de azul passaram pelo púrpura
Rapidamente...

Estúpido.

Não iria... não nasceu Sol nenhum.
Minha apreciação pela grandeza do fenômeno que me cercava
Era daquela dos que outrora colocaram punhais nas mãos de filhos
E mataram seus respectivos pais na esperança do parricídio certo.
Assim como esses assassinos - meus irmãos em fé aparentemente,
Apenas vi meu mundo escurecer.

...................................

Eu to juro,
Ainda hoje proferi algo que, visto por um homem melhor do que eu, seria a maior heresia da alma.
Na minha fala indiquei que os meus não têm volta
Criamos dentro de nós algo que simplesmente não pode ser limpo
Uma nódoa eterna que transparece ao mínimo cumprimento
(principalmente àqueles que fazem parte do bando)
E afasta qualquer esperança de felicidade genuína.

A heresia me fez lembrar instintivamente:
Considerara, há meses, que meu desejo era a solidão.
Nela, reclamaria em paz sobre minha infelicidade de não ter ninguém.

Não me entenda mal!
Tal pedido não clamava pela dor de ser único, especial,
Tampouco representava ojeriza aos humanos.

Meu desejo era a ignorância.
Não possuir diferentes próximos a mim
Para cegar-me o mundo que perco constantemente,
Para não entender minha falha de alma.

Seria feliz?
Este é o único fator que me separa dos parricidas por proxy,
Minha única característica de orgulho:
Eu não acredito em felicidade. Ela não possui a minha fé.

7 de mai de 2015

Ilógico

Se me fosse dado o direito de voto,
Eu diria que não somos nós mesmos.
É apenas quando somos odiados sem motivo...
Quando sentimos esse gosto nojento em nossas bocas,
Descobrimos quem realmente somos
E, portanto, nossa real capacidade.

Tentamos ser gentis sempre que possível,
Pois é clara a vantagem dessa posição.
É esse o maior perigo:
Mesmo que nessa posição,
Ainda não estamos imunes à maldade,
E a injustiça nunca soa mais clara.
"Devo ser o único"

Exatamente nesses momentos,
Em que o mundo segue (como sempre faz),
Sem perceber nosso esforço de nos comportar;
É que surge no âmago da crueldade
A vontade de tomar a justiça pelas nossas próprias mãos.
Uma ilusão de superioridade moral...

"Me odeia? Perfeito!
Finalmente encontrei um motivo para descontar,
Mostrar essa face minha realmente passível de ódio.
Faço questão de te encontrar,
Mesmo que isso signifique o perseguir para sempre.
E acredite: Não deixarei que fuja dessa vez,
Afinal, devo ser um monstro mesmo para,
Mesmo frente à minha melhor personalidade,
Ser alvo de tamanha brutalidade.

Faça-me apenas um favor: não morra ou mude.
Não tire de mim essa amargura,
Esse aroma delicioso de putrefação.
Isto será, para sempre, o motivo da minha vida,
Correr e correr sem parar em direção a algo melhor.
Talvez seja você, de todas as pessoas,
A que me fará feliz."

O mais engraçado?
"Não me esqueça. Por favor, não me esqueça!"
Mesmo no mais íntimo ódio,
Seu único desejo significa ser amado,
Ainda que por alguém que o odeia.

É impossível ser mau nesse mundo.

10 de mar de 2015

Eventualmente

Eu também devo dizer:
Vez ou outra eu me sinto feliz.
Uma esperança que não vai embora.

Nada nunca vai ser exatamente como quero
E talvez meu niilismo esteja correto.
Mas eu não consigo não repetir
Que tudo vai ficar bem... eventualmente.

Desentendimento

São bons os dias
Em que eu consigo mentir
Nos quais eu me reinvento
Mesmo que seja fachada

Neles, eu me sinto vivo
E chego a sonhar com maravilhas
Que talvez pudesse construir.
Talvez: sopro da esperança

Dor de verdade é acordar
Perceber que eu não sou ninguém
E que meus poucos anos por aqui
Não significarão nada demais.

Nos dias em que eu vivo,
Eu quero é morrer.
Pois sei que estou perto,
Estou perto de retomar os sentidos.

Não me tome por inteligente,
Mas eu queria ser um idiota.
Talvez assim eu acreditasse mais
Nas mentiras que conto pra mim.

Talvez assim eu não soubesse
Que serei apenas mais uma vítima do metrô,
Que uma tão sofrida morte não seria mal entendida
Por um homem atrasado pro serviço.

5 de mar de 2015

Para viver

Se você quer saber,
Passo a maior parte das minhas noites
Soprando fumaça na direção da lua
E esperando o momento certo.

Falo daquele momento em que o mundo para
E apenas se pode ouvir a voz de uma mulher
Gritando de desespero por alguma frustração
Ou implorando aos céus por algo melhor

Você pode me dizer o que quiser
Sobre seu dia ensolarado;
Sobre suas memórias de parque sob a luz do Sol;
Sobre seu "momento propaganda"
E que tudo foi perfeito por algum instante,
Mas nunca haverá nada mais belo do que o desespero

É apenas o desespero que dá sentido à vida.
Em seus momentos mais ridículos,
Quando você implora para a realidade ser apenas um sonho
E você está prestes a desistir do modo mais absoluto:
É nesse lugar, nesse momento que mora a real beleza.

Sem vacilar, decide viver.
Uma decisão estúpida provavelmente.
Não por natureza.
Por motivo.

Decide viver por sua família,
Pelos seus filhos,
Por suas conquistas,
Pelo seu legado.

Por favor, não viva por isso.
Viva por não ter certeza.
Viva pelo sofrimento, pela derrota.
Viva pelo castigo e por culpa.
Viva exclusivamente por seu desejo de morrer.
Assim, caso você seja um sortudo,
Um dia, talvez, você possua o bastante para poder morrer.

25 de jan de 2015

Simplesmente sendo

Esse é o seu verso de amor
Sua música sentimental
Os "poemas" que escrevemos
As ideias que defendemos
Os filmes pros quais choramos

Esse é o refrão pra Deus
O sentimento da sua família
O abraço no seu filho
O sexo com sua mulher

Sua casa e seu carro
Seu emprego e seus amigos
Seu dinheiro
Seu ego

Cigarro que fuma de madrugada
Tequila que bebe copos brilhantes
A música alta
Você dançando

Beleza
Luxúria
Poder
Raiva

O ritmo poderia ser o mesmo
Mas não está tudo conectado
É só seu ouvido preconceituoso
Que não consegue aceitar

Nós que criamos
Nós que esquecemos
São apenas palavras
Ridículas palavras

Ajuda

Superioridade
Maldade
Provavelmente errado

Você também é um idiota

Vamos ser cegos
Juntos!
Contigo
Ainda estaremos errados
Mas juntos
Não é lindo?

12 de jan de 2015

Fucking workshops (Espantando as pessoas)

"Música alta
Calças rasgadas
Cabelo despenteado
Olhar morto
Um maníaco, um louco, um perigo
Inferno!"

Nossos ombros se batem no metrô
Apesar de nunca se encostarem
E ao olhar para ele, vê o que quer
Vê o que precisa (e sempre tão necessitado!)
Ridículo. Sempre somos HAHAHAHAHAHAHAHA

Vão te dar o que procura: Mentira!
Afinal, o que mais quer?
Seu nome, seu ego... sua vergonha.

"É rapaz bonito, bem amado
Aprendeu os atalhos certos
Que bom!
Tome meu nome
Dê-me crédito
Eu que vi primeiro!!"

Homem charmoso, a culpa não é sua
É só a poesia que morre nas colônias.
E o mestre? Ah! Inofensivo.
Ele só queria que seus romances adolescentes fizessem sentido.
O genuíno? Esse vai sofrer seu pesadelo
Vai ser esquecido.
Mais rápido, pois todos seremos.

18 de out de 2014

Fracassado

Foi a face lúgubre que sorriu para mim
Dizendo que não havia nada de relevante
Que o mundo era um lugar de crime
Mas não havia castigo
Que os vivos viviam como findos
E isso era apenas isso

Não me tome como alienado
Já me era conhecida a teoria do fracassado
Tome-me por surpreso
Pois sou eu seu alvo no momento
É a mim que seu sopro insípido, táctil, sombrio e insano faz tremer
Era de se esperar...

Já pensei em dominar o mundo
Destruir metade dele apenas para provar um argumento
Criar e destruir deuses que nunca existiram
Enganar a todos a todo tempo
(Divertir-me do jeito mais humano possível)

Mas não sou O Idiota, nunca fui
Sou Ródion, o verdadeiro idiota
Por loucura e arrogância ainda trarei muita dor a pessoas boas
Apodrecerei hipocondriacamente por meses
E não terei Sônia nenhuma para me acordar
Porfiri nenhum para me estender a mão

"Ora, mas que tolo para pensar tais idiotices sobre a vida!"
Leia o título de novo, pois concordo com você
Minha qualidade de idiota nunca me deixará
Vou viver uma vida curta que durará para sempre
Com um segundo seguido de outro como você
Mas os meus serão compostos da mais ridícula essência

Não possuo o dom de viver em paz
Possuo o defeito de a procurar constantemente
Quando for minha a vez de beijar a terra, reverenciar-me ao povo e chorar
A terra estará vermelha de sangue e fogo
O povo estará distante gargalhando da minha ignorância
E minhas lágrimas serão apenas areia corroendo a superfície dos meus olhos

Em seguida, para mim, não haverá nada.

26 de fev de 2014

Ser humano

Deus, no mais superficial;
Demônio, em desespero;
Animal, independentemente do tempo;
Nada, quando tudo faz sentido.

Um delírio provavelmente!
Uma parte do mundo que só não ascende tão rapidamente quanto se esvai.
Instinto, desejo, ferocidade, raiva....
E angústia.

Tudo o que há de mais relevante pra defender;
A necessidade da luta constante;
O desinteresse indiscriminador;
A solidão em equipe.

O motivo de estarmos errados;
O motivo de estarmos errados;
O motivo de estarmos errados;
O motivo de estarmos errados.

6 de fev de 2014

Madrugado

Não é da tua alçada, despertar do nascer do Sol,
Esse sentimento que possuo agora.
Meu êxtase vagabundo não beira teu interesse
Assim como sua rotina me causa asco.

Para os utilizadores, espero que não esteja se gabando;
Para os curiosos, teoria e realidade não se encontram aqui;
Para os desocupados, sintam-se em casa;
Para os matutinais, corram enquanto podem.

Estou no lugar onde depressivos decidem pular,
Onde universitárias decidem dançar para pagar a faculdade,
Onde amantes decidem comprar munição
E onde pais decidem ensinar sobre a gravidade.

Não me entenda madrugado errado,
Aqui não é o lugar do erro.
Assim como qualquer senso social,
Esta qualificação não existe no momento.

Só existo eu.
Por mais que meus amigos estejam comigo
E minha família esteja ao meu dispor,
Só existo eu.

Aqui nada importa realmente.
Aqui sabemos que não somos nada.
Enquanto as pessoas dormem tranquilas,
Nós existimos... E isso basta por ora.

15 de out de 2013

Doce lar

          São Paulo chora tão terrível e elegantemente que eu não consigo parar de pensar nas pessoas que são obrigadas a serem sentimentalizadas por seu pranto. Mesmo no meu apartamento no céu um breve momento de escuridão é necessário para tal admiração. Minha cidade faz questão de cuspir em meu rosto, na minha eletricidade e na minha varanda por sua angústia, faz questão de mostrar sua fúria e exigir reparos ao me privar de meus momentos iluministas. Não sabe ela que sua tristeza é, na verdade, compartilhada entre os camaradas barbudos, entre clérigos populares, entre os civis indiferentes e até pelos homens de terno. Ela não sabe que sentimos sua raiva do momento em que pisamos em sua terra até o dia em que um projétil nos empurrará para suas profundezas. Ela não sabe que sentimos.
          Na chuva, minha turma não sofre. As janelas do prédio são fortificadas, a eletricidade é garantida por um gerador de diesel sujo e minha água, meu aquecimento, minha programação de qualidade "gold" e minha comida estão garantidos por invenções que vão além da minha capacidade intelectual. Entretanto, independentemente desses fatores, não estou contente.
          Não quero eu sair pelas ruas e cantar a viciosa canção da cidade da garoa, não tenho a intenção de deixar meu apartamento e ir a uma boate ou um bar numa madrugada de terça-feira e sou indiferente ao efeito da gravidade sobre essas gotículas inevitáveis. Não faço questão de que a Lua desapareça e dê lugar ao formoso Sol que traz consigo a esperança de que um dia esta será uma boa morada aos pais de família da periferia que, de acordo com nossa história, só sabem se fuder. Não quero viver para o amanhã.
           Quero, sim, sair sozinho e com vocês nas minhas ruas, nas nossas ruas, todos nus e gritando, ignorando nossos corpos e ouvindo apenas nossas vozes na avenida paulista. E ao notar nossos corpos, reparar em seu movimento constante de metamorfose edificadora arrancando as grades do palácio dos bandeirantes. Quero fazer a garoa sorrir ao mudar as vidas dos homens que tanto sofreram e estender minha mão aos porcos abastados que cairão neste momento e transformá-los em cidadãos. Quero bater nessa gente que tanto dorme em pleno serviço da constituição e mostrar que as mudanças virão e, sejam eles quem forem, o preço será pago por todos... Quero mostrar que podemos viver e não nos matar.
           Tenho ciência da minha ignorância, minha dialética é repugnante e meu intelecto foi amplamente reprimido com o tempo. Entretanto, sou um insatisfeito. Sou um infeliz que não consegue ser feliz por não conseguir alcançar a fase da "aceitação" e, logicamente, não consigo aceitar os horrores praticados diariamente por todos. Sou muito útil pra sociedade. Não culpo os acomodados por nossos transtornos, mas faço questão de mostrar neste texto o sentimento de decepção que minha cidade nos mostra.
            Sei que é apenas uma chuva, ainda não atingi o status de loucura, mas foi uma chuva tão tagarela...

31 de ago de 2013

Lanche natural industrializado

Meu corpo doía meu pulmão urgia meu coração batia
Da penicilina abusei para garantir para relaxar, por favor!
Não bastava a doença assintomática ainda aguentava os pequenos
Na casa gritavam a patroa chorava.. degluti como o Dr. mandou.

Não lembro de muito, o mundo estava mudo, uma caixa fina da parede dava risada,
Meu sustento biológico veio dum paralelepípedo translucido, esquisito... uma filosofia!
A donzela da casa veio me agarrar, decidi fazer vingar também.
Tão simples! Bastou-me a combinação de tempo e um copo d'água.
Essas noites são sempre coloridas, cheias de luzes, sentimentos, interesse, magia... uma loucura!

Morta e rancorosa é a luz que estupra cega desperta e arranca meu prazer
É ela a personificação do Diabo proletário que envolve seus filhos num universo de alegria estúpida e fala
A vingança será na próxima vida e morrerei tentando provar tal fato ainda nesta.
Estas bestas não podem ser assim tão burras ignorantes desinteressadas promíscuas e alienadas da sua própria miséria.

Não há salvação, minha própria raça... ela está contaminada com esse processo de putrefação intelectual,
O inferno risonho invade meu céu de brancura bela, de pureza e de sacrifício.
Discordância ideológica, choque de culturas, luta de classes, centrais e periféricos... faça da nomenclatura o seu prazer,
Mas o nome disto é Guerra, e a falange soberana é minha!
Meu comportamento em relação ao mundo será sempre de humildade e desvinculação,
Não deixarei que sujem o nome da minha justiça com o título de intolerância.

A graça de Deus

É intrigante ver a posição do meu suposto Pai,
Pois o meu incentivo tende, progressivamente, a um obstáculo.
Meu sangue é ardente e minha consciência é superior,
Mas não possuo Sua potência, nem Sua presença.

Tua astúcia é gananciosa, não sabe parar.
Fazes Tu a galhofa de rebaixar minha idolatria sobre um milhar de Marias,
Tens Tu o gracejo de ajoelha-la ao meu ódio
E ainda brinca e goza com seu estado civil.

Há quem diga que a penitência leva ao Seu encontro,
Por esta jocosidade e pela antiga meretriz, creio possuir crédito abastado.
Assim, prevejo que nosso encontro será breve
Na Sua casa, no Seu conforto, no Seu reino.

Se existes, não é magnificência alguma dizer que descendo te Ti,
Tenho também a graça e o sadismo divinos.
Logo fundarei Seu caos nesta Terra morta e infeliz
E, ao bater em sua porta, serei você e tu serás Eu.

23 de ago de 2013

Bruna é pequena, mas não surfa

Maldita fera celeste, sempre vem importunar.
No auge do pensamento, ápice da lógica,
Desce cintilante e furiosa em chuva constante.
Não tendo refúgio, meu fado é morrer.

É boa essa hipócrita paradoxal,
Apresenta-me a dúvida como presente
E rouba o que construí com sangue
Para o prazer de os assolar privadamente.

Vivi com liberdade plena e inquestionável,
Mas concedi meus pensamentos ("privatizei", pra direita).
Faltavam-me recursos e meu palácio deixei
Enquanto o Absurdo imperava e jantava fartamente.

Era esperado:
Da luz fez-se fogo em minha tez,
Da chuva alagou-se meu interior,
Na queda dos escombros não mais sentia
E, com minha morte, morreu meu parasita.

Seu sentir de peralta tornou-se lúdico
E, por consequência do lúdico, nasceu o libertário.
Tanto no século XIX quanto no XXI
Dirão que vivo anarquia, desordem e irracionalidade.
Graças a ti, não desmentirei tais palavras!
Prontamente, apreciarei o elogio, assim como a emulação.

26 de jul de 2013

Estou triste

Não é por muita abstração ou qualquer indagação que tomou-me por dias, não.
Não estou triste por não entender, por ser jovem e ignorante,
Entendo muito das regras, tenho meu código moral e entendo o seu também.
Sou um homem lógico: eu observo, experimento e comprovo,
Mas não estou bravo com minhas ciências também, afinal, somos humanos.
Estou decepcionado, acredito que seja mais correto.

Na verdade, só estou decepcionado, não existe um motivo pra isso..
Exatamente! É exatamente a falta de motivo que conturba-me, é ilógico!
Daí, tirei que a falta de um motivo significaria uma totalidade de fatos incompreensíveis à minha lógica juvenil,
Eu sou, de fato, muito jovem e, portanto, inexperiente e, por isto, confuso, muito confuso.
Quando começo... ah! quase não sei onde vou parar... que diferença faz? De decepcionado vou sempre à perturbado.

Essa necessidade constante de pensar, de entender, de resolver esses problemas,
Esse martírio constante e falso que passamos diariamente ao fingir que nos importamos,
Qual a relevância de tudo isso? Por que entender? Por que resolver?
Pelo que morrer? Talvez tenha mais atrativos: pelo que viver?
Estava errado, não entendo seu código moral.

Estou triste, mas não é por nada não... pra que pensar?
Sei que pessoas morrem antes de começarem a viver,
Sei que há o absurdo dos homens diariamente,
Sei que não existe ordem, lógica ou coerência.
Estava errado, não sou um homem lógico.

Esses homens são déspotas maníacos,
Só sabem seguir seus instintos e suas ambições perversas,
São todos impuros por natureza e condenados por ela.
Estava errado, não somos humanos, somos animais.

Estou triste... não! estou decepcionado.
Estou decepcionado pois fui enganado há muito tempo.
Estou decepcionado pois mentiram e eu não sei admitir.
Estou decepcionado pois não seguimos nossos códigos.
Estou decepcionado pois minha lógica é falha.
Estou decepcionado pois não sou um humano.

Animais não ficam tristes,
Animais não ficam decepcionados,
Animais ficam perturbados.
Acho que acertei agora...

30 de abr de 2013

Se o mundo cheirasse a ti

Se o mundo cheirasse a ti,
Não haveira poemas vis,
Não ouviria-se querelas de alguém
Nem um ser cantando Réquiem.

O céu noturno ficava por si
E não haveria Van Gogh para o enegrecer.
Se surgisse um bêbado, seria de outrem,
Não um Alighieri pra cantar o que vem.

Talvez morressem uns cem,
Mas nem os três de maquiavelismo,
Nem ninguém de ímpeto preciso.

Acho que seria feliz também,
Possível adepto de eternismos...
Starters Naribus? Haeretici!

17 de mar de 2013

Homo ludens, de fato

Vivia como se tinha que viver,
Era bom para todos e isso incluía mulheres.
Sorria, mesmo sem precisar
E cantava, como se fosse de bajular.

Funcionava como era de se esperar.
Ele ria, ela entretinha-se,
Mas era só o que tinha que dar.
Afinal, acabou que sempre davam.

É o dar que me intrigava..
Trataria-o como eunuco se não soubesse.
Compensava a fraqueza que não podia mostrar,
Normalmente, só não querem mostrar.

Um dia, foi cantado.
Não parecia dar certo no sentido contrário,
Mas foi continuado sem temer
E, no final, acabou que deu também.
Vai entender...

26 de jan de 2013

Gente grande

Sinto medo.
É foda admitir isso, como todos sabem.
Mas sinto medo do que está por vir...
Como todo bom humano sente.

Não tenho a mínima certeza do futuro,
Não sei se é feito de solidão angustiada,
Ou de alegria compartilhada,
Mas tenho medo do que está por vir.

Seja lá como for,
Sei que vou aguentar da forma que aparecer.
Porém, não quero mudar..
Gosto do que foi e sinto gosto de lembrar!

Há muito que os tempos não mudam,
Mas não existe o que fazer para impedir.
Sei que minha base tende a tremer
E que meus instintos gritam para uma fuga.

Porém, não há homem que lute contra o acaso,
Não há quem consiga vencer a alternância de tudo... e de todos.
Meus pés podem ceder à grandeza do tempo,
Mas meu espírito nunca se curvará.

Sinto falta do que se foi...
Sinto angústia ao pensar no que poderia ter sido...
Mas não tenho ressentimentos,
Esse tempo, passou-me.

Que a força de Deuses recaia sobre mim,
Que a badalada final toque em minha presença,
Que o fim dos tempos encare-me frente a frente!
Nada disso põe medo em minha alma.

Mas o amanhã?
O dia de que nada se aguarda:
Meus pedaços, minhas fibras, minha alma!
Tudo tende ao temer.

21 de jan de 2013

Alguma coisa sobre estrutura

Não acordei sentindo alguma coisa,
Passei a tarde procurando Sentido
E fui dormir meu sono vazio...
Mantenho esse esporte.

Quando perguntaram sobre mim,
Decidi ir-me pela porta do cômodo;
Mas quando vi televisão,
Senti a paz reinar de novo.

Acho que perdi alguma coisa,
Mas não chequei pra conferir.
De fato, estou mais leve,
Sem forma pior, é claro.

Acho que nunca existiu,
Essa seria a solução!
Quanta insistência, essa minha,
Nunca aceito ouvir não...

10 de jan de 2013

Fotografia

Estão olhando pra mim!
Estão olhando pra mim?
Devo ter sido esquecido...
Não precisa ser algo ruim.

Quanta anarquia...
Quanto descontrole!
Há índios vagando por aí
Ao lado de vadias que nunca esqueci

São homens tão fortes quanto estúpidos;
Casais cujas fotos eu caio no riso;
Caxinguelês, famosos traidores...
Entre outros merecedores de forca

Vou manter essa golfada aqui dentro,
Não é minha intenção ofender.
Mas isso não muda fato nenhum,
Em outras palavras: podem morrer.

8 de jan de 2013

Beleza relativa

Nada como ter um dia de arsh
Percebendo a stronzate existente
Nos mais crédulos fils de pute
E nos amáveis gelehrte

Mas não seja tão stultus
Faço questão de te baiser...
Da maneira mais douloureux
Mas mantendo o prazer

Não há necessidade de urlare,
Acredito que ninguém audire
Peço que fique à vontade
Pois o sessu vai inizio

Sentem-se em seus lugares,
O montrer está para abrir
Não chorem, bambini
Um dia estarão aqui

5 de jan de 2013

O Sentimento

Senti falta da sua presença,
Do jeito que fala comigo
E permanece calado em crença...
Na surrealização do absoluto

Sei que sentiu minha falta...
O que é de você fora do meu ego?
Somos, os dois, produtos mútuos
Dependentes eternos em guerra

Sabemos da verdade:
Não faço mais de você
E o contrário é feito justo.
Só esperança nos escora.

Faça-se confortável,
Agite-se como preferir
E divirta-se enquanto puder..
Pois não vai durar muito

13 de dez de 2012

Concreto

Há um pássaro que sempre canta,
Um casal que anda pela praça,
Um velho que lança suas mandingas,
Uma moça que é sempre bela.

A cada segundo, um carro passa,
A cada minuto, ouve-se um samba,
A cada hora, o sino toca,
A cada dia... nada nunca muda.

Não quero um pássaro que cante,
Não quero um casal andando,
Não quero um velho revoltado,
Não quero uma moça assim.

Quero um pássaro que nade,
Quero um casal que corra,
Quero um velho que chore,
Quero uma moça... que morra.

Mas que cante,
Mas que ande,
Mas que lance...
Mas que seja!

2 de out de 2012

À Deriva

Cantei, e cantei, e cantei.
Não senti dó de mim.
Pois, Chico, sinto-me bem!
Isso é algo para contar.

Não tropecei no mundo,
Nem escorreguei na vida,
Mas senti prazer..
Em tudo e em todos.

Senti prazer ao não pensar.
Ao esquecer-me das consequências,
Assim como das regalias.
Creio que não restem para mim.

Agora, estou à maré.
Leve-me, busque-me...
Faça como queiras!
Mas deixe-me em meu canto
Que a tanto me espera.

25 de set de 2012

Eclosão

Sinto-me vazio porque não mais tenho o que completar.
Sinto-me vazio porque fui deixado assim.
Seja por demônio divino ou querubim caído,
Sinto-me vazio.

Não sinto raiva nem angústia,
Não desejo vingança ou punição.
Não quero nada... e por isso estou.

Pois que venham novas trovas à cantar,
Novos delírios na beira da razão.
Que deem o pior que possam dar!
Pois sinto a vontade de disputar.

Não quero história,
Deixo-a para os que se fazem dela.
Tenho apenas avidez pelo momento,
Que ele exista e se faça.

Estou privado de felicidade,
Tampouco de tristeza.
Mas espero por sentir arder...
E queima.